Com a lata de concreto sobre o
ombro já todo dilacerado, Ângelo só pensava no fim daquele duro expediente. O
que o consolava era saber que Michel havia comprado algumas peças da melhor
picanha da região e o churrasco prometia. Isso fez com que ele ignorasse
momentaneamente a dor e o cansaço. Ao contrário de Ângelo, os quinze homens ali
presentes trabalhavam com afinco e não demonstravam nenhum sinal de fadiga ou
contrariedade. Faltavam poucos metros para o enchimento da laje e algumas latas
de cervejas começaram a surgir. Ângelo de cima da laje pediu logo a sua e
Michel que estava embaixo prontamente o atendeu, arremessando a lata de cerveja
para o alto. Ângelo nas pontas dos dedos dos pés até que tentou agarrá-la, mas
acabou por curva-se demais para frente e despencou como uma jaca podre sobre a
calçada.
Com o braço direto fraturado e duas costelas
trincadas, Ângelo degustava sem vontade a comida do Hospital. Já na obra... a
picanha comia solto.
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